sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Julgamento de jovens em Guarulhos vira alvo de polêmica jurídica


Após sentença, promotor admitiu que faltou investigação no caso.
Criminalista aponta fragilidade das acusações.

No dia seguinte à condenação dos três jovens de Guarulhos, na Grande São Paulo, pela morte de Vanessa de Freitas, em agosto de 2006, o julgamento virou alvo de uma polêmica jurídica. Até mesmo o promotor do caso, Levy Emanuel Magno, reconheceu que faltou investigar melhor o crime.

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Depois de fazer o exame de corpo de delito, os três jovens deixaram durante a tarde desta sexta-feira (21) o 1º DP de Guarulhos, onde passaram a noite desde o fim do julgamento. E seguiram para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos.

Renato Correia de Brito, Wagner Conceição da Silva e William César de Brito foram condenados por quatro votos a três, em um julgamento que durou três dias. Eles saíram do fórum de Guarulhos na noite de quinta-feira (20) presos e algemados. A defesa pretende recorrer ao Tribunal de Justiça do Estado. “Nós queremos que eles sejam absolvidos. Eles são pessoas de bem e são inocentes, essa é a grande realidade. Mas confesso para vocês estou decepcionado”, disse Augusto Tolentino, defensor do trio. Depois da sentença, o promotor chegou a admitir que faltou investigação no caso. ”Poderíamos coletar sangue, poderíamos fazer uma varredura no corpo no local, poderíamos, poderíamos e poderíamos... O que nós temos que avaliar é o que foi feito. Por isso eu digo a todos os senhores que a prova era controversa”, disse Magno. Wagner, Willian e Renato ficaram dois anos na cadeia, acusados de matar Vanessa de Freitas. Mas eles diziam que eram inocentes e que um deles tinha confessado o crime sob tortura. Foram soltos em setembro deste ano, quando, segundo a polícia, Leandro Basílio Rodrigues, assumiu a autoria do assassinato. Confissão que o “Maníaco de Guarulhos”, como ficou conhecido Leandro, negou diante do júri. O promotor, que na época pediu a soltura dos jovens, mantém a posição de que os três são inocentes. “Em momento nenhum eu vou criticar o meu colega Levy. Ele tem dez anos a mais de carreira do que eu. Mas eu até já tinha emitido minha opinião sobre o julgamento e essa foi a razão pelas quais eu não queria participar dele, eu já tinha dito que eu pediria a absolvição nesse julgamento.” Para o criminalista Luiz Fernando Camargo Vidigal, o próprio desentendimento entre os promotores em relação ao caso indica a fragilidade das acusações. “Esse caso é um ícone. Desnuda como são feitas as nossas investigações judiciais e como quão frágil é todo este modo de operar, este modo de trabalhar das nossas polícias.” O juiz responsável pelo caso, Leandro Bittencourt Cano, informou que todas as partes recorreram. O processo segue agora para o Tribunal de Justiça do Estado. E os réus podem ser julgados novamente. Quanto à denúncia de tortura feita pelos três rapazes, a investigação ainda está em andamento na Polícia Civil. A tortura alegada pelo Maníaco de Guarulhos para confessar o crime não foi investigada. Nem sequer foi aberto inquérito para apurar o caso.